Tecendo redes pelo Direito de Ensinar e de Aprender

postado em 2 de dez de 2015 10:48 por Andre Martins   [ 2 de dez de 2015 10:52 atualizado‎(s)‎ ]
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Professores, pedagogos, diretores escolares, educadores infantis e demais servidores das escolas municipais de Uberlândia, estiveram reunidos na Arena Tancredo Neves (Sabiazinho) em 29 de outubro deste ano, para um Encontro promovido pela Secretaria Municipal de Educação.

Com o tema “Tecendo redes pelo Direito de Ensinar e de Aprender”, o encontro contou com mostras de trabalhos desenvolvidos nos diferentes polos da Secretaria Municipal de Educação, momentos culturais e palestra proferida pela Profa. Dra. Viviane Mosé.

A palestrante, poetisa, filósofa, psicóloga e psicanalista, iniciou sua palestra destacando a nossa incapacidade de vivermos juntos, em comunidade. Mosé enfatizou que a sociedade está organizada em rede, questionando sobre como conviver numa sociedade organizada neste prisma.

Para Mosé, em épocas anteriores, o único acesso que tínhamos ao conhecimento era o professor, hoje há outros meios de acesso ao conhecimento, disponibilizados pelas novas tecnologias da comunicação, dentre elas, a internet.

Nesse sentido, ela retomou o questionamento “como conviver numa sociedade em rede? Pois, embora alguns não admitam, a nossa sociedade está organizada em rede”. Neste sentido, a palestrante destacou que a sociedade está esfacelando diante de nós, o que impõe desafios a pais e educadores, em especial, o desafio de aprendermos a conviver, educar e nos educarmos, ante este novo modelo.

Outro ponto apresentado pela palestrante diz respeito ao modo como a sociedade está organizada, que é no formato de pirâmide. Isto impõe o desejo de crescermos até o topo da pirâmide e, para se conseguir isto, muitas vezes é preciso eliminar o outro. Esta competição acaba por nos apontar para a necessidade que temos como pais, professores e educadores, de trabalharmos valores como a dignidade e a honra.

Viviane Mosé afirma que “não existe vida sem crise, mas o momento em que vivemos é um pouco pior”, pois vivemos uma crise de liderança familiar, crise de liderança do professor, dentre tantas outras.

Além desta crise, outro ponto destacado é o fato de que na web não há relacionamento afetivo, com isto, podemos estar produzindo uma geração de psicopatas, incapazes de ter sentimentos de amor e piedade uns pelos outros.

Para a palestrante, a exclusão do mundo já foi material, hoje as pessoas são mal vistas e excluídas por causa da educação. Então, se é a educação que determina, a resposta está na pergunta: “Qual educação? ”, pois, embora vivamos em um mundo com grande desenvolvimento tecnológico, nunca fomos tão imaturos político e socialmente.

Foram colocados como desafios para a educação no contexto atual: produzir acordos e valores e produzir raciocínio de forma elaborada. Nesse sentido, se estimularmos nossos filhos a pensar, eles terão maiores e melhores oportunidades. A maior força que existe é a do pensamento; sabendo disso, as classes operárias pleitearam o direito de aprender a ler e a escrever. Assim, é importante compreender que só teremos uma escola funcionando quando ela for importante para a comunidade.

Mosé destacou que não são os resultados educacionais que vão dizer se a educação está bem, mas se houver respeito, diálogo e convivência. A palestrante finaliza dizendo: “Temos que tornar a rua capaz de receber as crianças; isto é ser uma cidade educadora”.

A palestra serviu para que os educadores reflitam sobre os desafios da educação na contemporaneidade. A construção de uma cidade Educadora não é uma tarefa simples, para que se concretize, são necessárias mudanças profundas na maneira de pensar, de educar e de investir na educação.