NA ESCOLA

Escolas do polo Leste discutem sobre violência de gênero

postado em 14 de dez de 2015 07:28 por Andre Martins   [ 22 de dez de 2015 11:50 atualizado‎(s)‎ ]


Com o tema “Dialogando sobre a questão da violência doméstica”, as colaboradoras do Polo Leste que atuam no Cemepe, Superintendência da Mulher e Centro Integrado da Mulher (CIM), discutiram sobre a questão da violência com pais e professores, pedagogos e direção das comunidades dos bairros Morumbi e Santa Mônica. A escolha do tema violência adveio das rodas de conversa e de estudos sobre a violência nas comunidades do polo Leste e também na cidade de Uberlândia- MG.

A primeira roda de conversa foi realizada no dia 29/09/2015, nas dependências da E.M. Eugênio Pimentel Arantes – Bairro Morumbi e a segunda roda no dia 20/10/2015, na E.M. Prof. Domingos Pimentel de Ulhôa.

A intenção das rodas de conversa foi ouvir a comunidade e sensibilizá-la para a necessidade de dialogar sobre a violência familiar, apresentando os equipamentos sociais disponíveis para atender as pessoas e famílias em situações de violência. Nesse sentido, a coordenadora do Polo Leste, Profa. Dra. Ana Lúcia Martins Kamimura, dialogou com o Centro de Referência da Assistência Social – CRAS no sentido de contatar a Secretaria de Saúde, que se organizarão para dar continuidade ao trabalho por meio da criação de um grupo permanente de discussão e acolhimento das mulheres vítimas de violência.

As rodas de conversa iniciaram-se com a apresentação do Mapa da Violência no Brasil e na cidade de Uberlândia e resultados de pesquisas sobre os índices e formas de violência pela pedagoga Marta Fontoura Queiroz Cantuário.

Em continuidade aos trabalhos, a assistente social Ana Lúcia Martins Kamimura apresentou dados de sua pesquisa de doutorado sobre a violência de gênero e a superintende da Mulher, Marli Anastácio de Freitas Silva, juntamente com uma representante do Centro Integrado da Mulher – CIM, apresentaram situações reais sobre a violência em nossa cidade e como/onde e quando buscar ajuda.

Na apresentação da pedagoga Marta Fontoura, dados[1] importantes foram apresentados, dentre eles, cabe mencionar:

  • Enquanto a região sudeste registra queda de quase 40% no número de mortes por armas de fogo, em Uberlândia houve aumento de 53,7%, no período de 2002-2012;
  • Média Nacional: 26,99 óbitos para 100 mil habitantes;
  • Média em Uberlândia: 28,61 óbitos para 100 mil habitantes;
  • Violência é a maior causa de mortes em Uberlândia. 

Uma matéria[2] publicada no Correio de Uberlândia no ano de 2011, aponta que o número de mortes violentas cresceu 73% em cinco anos em nossa cidade. Abaixo apresentamos um gráfico com o número de homicídios em nossa cidade e o quantitativo de mortes por ano.

O gráfico com a quantidade de homicídios em nossa cidade demonstra um aumento alarmante. Um questionamento pode ser feito “e os que não morreram e foram vítimas de violência? Eles não são contados”. Tal questionamento permite compreender que a violência é bem maior do que os números apresentados. Por outro lado, traz o questionamento: Quantos homicídios são praticados contra homens? E contra as mulheres? Eles morrem nas mesmas situações?

O sociólogo Júlio Jacobo coordenou e concluiu pesquisa intitulada “O mapa da violência 2012” que mostra uma clara diferença entre assassinatos de homens e mulheres, pois, enquanto os homens morrem primordialmente nas ruas entre pares, as mulheres morrem no domicílio.

Outra pesquisa, divulgada no início de abril deste ano (2015), intitulada “Violência contra a mulher e as práticas institucionais”, revelou que 9% das mulheres se sentem culpadas pela agressão que sofrem. Estas mulheres entendem que, em algum momento, falharam em cumprir o papel determinado ao gênero feminino, e por isso foram agredidas.

Uma outra pesquisa apresentada nas escolas do Polo Leste, intitula-se “Violência contra a mulher: o jovem está ligado?”,  feita pelo Instituto Data Popular, sob encomenda do Instituto Avon. A pesquisa é parte das ações da campanha global da entidade “Fale sem medo – não à violência doméstica”, do movimento 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero. O instituto ouviu mais de 2 mil jovens com idades entre 16 e 24 anos, nas cinco regiões do país, sobre os temas relacionamento afetivo, relacionamentos virtuais, sexualidade, Lei Maria da Penha e violência entre os casais. A pesquisa mostrou que 66% das mulheres já sofreram algum tipo de violência doméstica e 55% dos homens entrevistados admitem ter praticado violência, dentre as ações mencionadas na pesquisa: xingar, empurrar, ameaçar, dar tapa, impedir de sair de casa, proibir de sair à noite, não deixar usar determinada roupa, humilhar em público, dar soco, obrigar a ter relação sexual sem vontade, ameaçar com arma, entre outras.

No trabalho desenvolvido nas escolas do Polo Leste, embora tenhamos apresentado dados concretos e de certo modo até alarmantes, percebemos que o machismo ainda impera no discurso de pais e de professores. Isto coloca sobre nós uma responsabilidade ainda maior, assim como o desejo e a necessidade imperativa de dar continuidade a estas discussões.

EMEI Sta Monica recebe apoio do NTE

postado em 11 de dez de 2015 10:25 por Andre Martins   [ 22 de dez de 2015 12:06 atualizado‎(s)‎ ]

Formação na ADEVIUDI

https://goo.gl/photos/ZppGq3xy2XxzeRG6A

No segundo semestre de 2015, a Escola Municipal de Educação Infantil do Bairro Santa Mônica buscou apoio técnico do Núcleo de Tecnologia e Educação (Cemepe). A diretora da escola, Nilva Maria Miranda Mendes, ligou para  o NTE solicitando auxílio para que a escola pudesse elaborar um livro virtual.

A escola já desenvolvia, há vários anos, o projeto “Tecendo Histórias”, que dava projeção ao trabalho produzido pelas crianças sob a orientação das professoras e educadoras da escola. Toda a produção dos alunos era registrada e, no final do ano, alguns desses trabalhos eram selecionados e publicados em forma de livros. Até o ano de 2013, a escola contava com a parceria da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), por intermédio da Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis (Proex) que auxiliava na impressão dos livros.

Em 2015, diante da impossibilidade de financiar a impressão dos livros, os profissionais da escola recorreram ao NTE para que o projeto continuasse, mas de forma virtual. Com a produção das crianças em mãos, as professoras e educadoras precisavam que alguém as ensinasse quais ferramentas poderiam ser utilizadas para a construção e publicação desse livro virtual e como utilizar essas ferramentas.

Os professores do NTE (André Luís Batista Martins, Cecília Franco Morais, Cleber Ferreira Oliveira e Maria Rosalina Souza Pereira Miguel) fizeram uma visita à escola, conheceram suas instalações e perceberam que a carência de recursos materiais não foi empecilho para o desenvolvimento do projeto. Diferentemente das escolas de ensino fundamental, as escolas de educação infantil do município não possuem laboratório de informática. A escola montou, então, uma “lan house” (palavras que as crianças e as professoras usam para se referir à pequena sala com duas mesas) com dois notebooks comprados com verbas arrecadadas pela própria instituição. Além dos computadores, a escola também adquiriu mouses e teclados que facilitam o uso das máquinas pelas crianças pequenas.

Além da visita à escola, a equipe do NTE também ministrou encontros de formação para as professoras. Como o espaço da EMEI é bastante restrito, a diretora Nilva Maria  organizou as atividades em espaços alternativos no próprio bairro: a ADEVIUDI (Associação dos Deficientes Visuais de Uberlândia) e a Escola Municipal Professor Domingos Pimentel de Ulhôa.

Formação na EM Domingos

Formação na EM Domingos Pimentel

Na primeira formação, realizada na ADEVIUDI, as professoras levaram seus próprios computadores. Nesse dia, a equipe do NTE apresentou a ferramenta de edição de fotos Picasa e a ferramenta de edição de vídeos Videopad. Na segunda formação, realizada na EM Prof. Domingos Pimentel de Ulhôa, os professores do NTE apresentaram a ferramenta de criação de publicações Microsoft Publisher e as ferramentas de publicação online Youblisher e Issuu. Essas ferramentas foram escolhidas a partir da demanda apresentada pelas próprias professoras e educadoras.

Como o objetivo da escola é publicar um livro, o NTE propôs que fosse criado o site da EMEI e que as próprias professoras e educadoras alimentassem o mesmo. O site foi criado dentro do domínio ntecemepe.com e algumas professoras fizeram um treinamento, com o NTE, no próprio Cemepe. Com isso, a escola já está apta a publicado o livro virtual e publicá-lo.

Por entender que a equipe do EMEI possuía uma rica experiência a compartilhar, o Núcleo convidou a diretora, as professoras e as educadoras da escola para apresentar seu projeto para os professores de informática educativa na formação do dia 23 de outubro desse ano. O encontro teve uma receptividade muito boa.

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