A cidade educadora somos nós

postado em 16 de jun de 2016 13:18 por Andre Martins   [ 17 de jun de 2016 09:42 atualizado‎(s)‎ ]

Por Mauro Sérgio Santos


Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo

Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer

Porque eu sou do tamanho do que vejo... (Fernando Pessoa)


Uberlândia.  Palavra constituída pela junção da expressão originada do latim ubere (fértil, fecundo, farto, abundante) com o vocábulo de origem inglesa land, aportuguesado para -lândia, que significa, terra, território, lugar, local. Assim, etimologicamente, Uberlândia, significa algo como “terra fértil”.

Desde sempre, o município mais populoso do interior de Minas Gerais foi portador de uma vocação para a grandeza. Não sem motivos, o uberlandense é um cosmopolita, orgulhoso de sua altivez.

Essa Constantinopla do Cerrado tem o maior jornal diário impresso do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Tem uma economia aquecida e um polo industrial que gera milhares de empregos alocando, entre outras, a maior cervejaria da América Latina.

Possui uma das melhores universidades federais do país e outros excelentes centros universitários privados. Em 2015, um estudo realizado pela União Brasileira de Divulgação (UBD), revelou que o município de Uberlândia tem a melhor educação municipal de Minas Gerais e está entre as 40 melhores de um universo de mais de 5.500 cidades de todo o país. O que se deve, especialmente, ao estabelecimento da Rede Pública Municipal pelo Direito de Ensina e de Aprender: consulta à comunidade para a escolha de gestores nas escolas, constituição dos Grêmios Estudantis Livres, valorização profissional, humanização das relações.

Uberlândia tem um prefeito que é professor, negro, oriundo das camadas populares e “ficha limpa” (o que não é pouca coisa no cenário atual). Tem academias ao ar livre, um complexo de esporte e lazer gratuito, popular e democrático que atende pelo carinhoso nome de Parque do Sabiá, o aconchegante Parque Siquierolli, na   Zona Norte da cidade, o histórico Mercado Municipal, hoje, totalmente reformado hospedando importantes trabalhos e projetos culturais.

Celeiro de talentos paraolímpicos, também investe em projetos alternativos de mobilidade urbana, como é o caso do Udi Bike, uma parceria entre a prefeitura e empresas do município.

Terra Natal de Grande Otelo, essa moderna bizâncio possui um glamoroso teatro, agora, receptivo, intenso e aberto à população. Acolhe o faustuoso Festival Nacional de Viola de Cruzeiro dos Peixotos. Sediou três Semanas Internacionais de Comunicação e, no último ano, o Elicer, o maior evento literário do interior do Estado. Mantém vivaz a tradição do congado, Patrimônio Imaterial Municipal, festa uberlandense, considerada a maior do Estado de Minas Gerais e uma das maiores do Brasil.

Em 2014, recebeu o “Prêmio Brasil Sorridente” por ter o segundo melhor atendimento odontológico de Minas. Recentemente, mais de 10 mil famílias tiveram realizado o sonho da casa própria. Escolas foram edificadas em lugares com maior necessidade. Unidades Básicas de Saúde foram construídas. 

A cidade cresce em uma perspectiva popular, inclusiva, humanizadora e de democratização dos espaços e das relações. É possível ver isso! Mas, para tanto, é preciso superar a visão superficial que nos fazem ter da realidade que nos cerca. E isso passa por uma reeducação do olhar. Contra o pessimismo, a sensibilidade. Contra o ceticismo, a informação.

Por essa e outras inúmeras razões, Uberlândia pode (e deve) orgulhar-se de sua história, das conquistas atuais e de seu enorme potencial.