Economia nas eleições

postado em 17 de jun de 2016 09:22 por Andre Martins   [ 17 de jun de 2016 09:24 atualizado‎(s)‎ ]
Por Mauro Sérgio Santos

Conforme Max Weber, existem três espécies de poder: o poder político, econômico e o ideológico. No cenário político brasileiro, nota-se, lamentavelmente, que, com o auxílio da ideologia e de outros recursos, o poder econômico macula e se sobrepõe ao poder político.
Nessa direção, a questão que se coloca ao cenário atual não é outra senão a seguinte: nas eleições municipais de 2016, qualquer cidadão bem-intencionado pode pleitear uma cadeira nos Legislativos dos municípios brasileiros? Sim, desde que atenda às exigências da legislação eleitoral, mas, sobretudo, se dispor de recursos financeiros para investir pesadamente em sua campanha.
A despeito da crise e das pequenas alterações realizadas na legislação em 2015, essa é a grande cláusula de barreira do sistema político brasileiro: a barreira econômica. Isso impede que as classes populares sejam representadas por um de seus pares. Sem dinheiro, não se vence eleição no Brasil. No atual quadro político, temos, de um lado, políticos profissionais e, de outros, empresários “investidores de mandatos”.
E tal investimento é bastante rentável. Grupos políticos começam a se organizar. Alianças são realizadas. Acordos são selados. Conchavos configuram-se. Promessas são feitas. Novos velhos nomes são ventilados. O período eleitoral não começou oficialmente, mas todos começam a politicar.
Uma renovação se faz premente nas prefeituras e câmaras municipais; clamam, unânimes, os cidadãos dos quatro cantos do País. Mas que renovação seria essa? Secretários das atuais ou administrações anteriores? Filho de algum político do passado que seguirá os passos do pai, do tio, do avô? Ou apadrinhado de qualquer afortunado, industrial, empresário ou fazendeiro? Sem recursos para campanha, um candidato, por mais bem-intencionado que seja, dificilmente, elege-se.
Não sendo público, tampouco transparente, o financiamento de campanha, cada candidato fica à mercê de investimentos do empresariado, da “filantropia” de terceiros ou de seus próprios recursos. Esse fator inviabiliza a presença de um genuíno representante das classes populares nos poderes legislativo e/ou executivo. No pleito de 2014, cada deputado federal eleito gastou mais de R$ 1 milhão em média.
Muitos gastaram mais do que isso e não se elegeram. Poucos mandatos foram conquistados sem enorme despesa. Tal situação se repete nos municípios. É ínfima a chance de ser eleito qualquer candidato a vereador da cidade de São Paulo, por exemplo, que não gaste cerca de R$ 800 mil. Quem tem essa quantia para ser gasta nos próximos meses sem garantias de ser ressarcido? Com isso, de saída, muitos concorrentes, mesmo aqueles portadores das mais nobres intenções, não possuem a menor chance de serem eleitos.
Incomuníssimos são os casos de candidatos eleitos por carisma, reconhecimento, popularidade ou por representarem um projeto para as classes populares. Representantes de fato do povo raramente exercem mandatos. No Brasil, por conta da ineficiência da legislação eleitoral, o poder político está submetido ao capital da classe dominante. E isso faz com que os mais pobres, mesmo constituindo a maioria, convenientemente permaneçam à margem do poder.