Eu sou do tamanho do que vejo

postado em 17 de jun de 2016 06:38 por Andre Martins   [ 17 de jun de 2016 09:26 atualizado‎(s)‎ ]

Por Mauro Sérgio Santos


Hoje mais do que nunca a cidade, grande ou pequena, dispõe de inúmeras possibilidades educadoras. De uma forma ou de outra contém em si mesma elementos importantes para uma formação integral” 

(Carta das Cidades Educadoras)


O escritor uruguaio Eduardo Galeano no “Livro dos Abraços” escreveu:

Diego não conhecia o mar. O pai levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para O sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai alcançaram, enfim, aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava em frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: me ajuda a olhar […]

As palavras de Galeano nos fazem pensar que frequentemente a tagarelice cotidiana nos impede de ver o encanto da realidade como ela é e, porquanto, precisamos da ajuda daqueles que nos cercam e de recursos diferentes aos que estamos acostumados. Nessa direção, com a devida vênia, convido o ilustre leitor, cidadão uberlandense, a olhar para o município de Uberlândia com um pouco mais de cuidado para que, desse modo, consiga perceber que a cidade se desenvolve sob uma perspectiva diferenciada, qualificada, inclusiva, participativa e democrática.

O caminho, definitivamente, não é novo. O que há de novo é um jeito novo de caminhar. Uberlândia agora é para todos. Nesta sorte, o que se percebe é que nos últimos tempos a maior cidade do interior de Minas não tem medido esforços para ampliar direitos sociais e possibilitar que diferentes espaços urbanos se convertam em ambientes educativos.

Urbanização com acessibilidade, moradias dignas para a população mais carente, vale-alimentação para servidores públicos, poemas plotadas nas praças, ciclismo gratuito, caminhadas e academias ao ar livre, atividades esportivas nos parques e avenidas, grandiosos espetáculos teatrais, encontro de violeiros, congado, a melhor educação de Minas, reconhecimento das diferenças...

Há muito o que ser feito, mas também não falta o que se celebrar. Nesse sentido, talvez seja preciso reinventar a percepção que temos de Uberlândia: superar o ceticismo em nome da possibilidade de ver além do óbvio. Trocar o pessimismo pela esperança. Nas palavras de Exupéry, o essencial é invisível aos olhos. Só se vê bem com o coração.  Diz Fernando Pessoa, “Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer.  Porque eu sou do tamanho do que vejo...”. O uberlandense é grande. Uberlândia é grandiosa e para todos.