Pelos direito de ensinar e de aprender

postado em 17 de jun de 2016 05:34 por Andre Martins   [ 17 de jun de 2016 09:26 atualizado‎(s)‎ ]
Por Mauro Sérgio Santos


A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele (ARENDT, 2001)


Em 2013, a atual gestão municipal adotou como slogan e ideal a ser perseguido a máxima: “Por uma Cidade Educadora”. A Carta das Cidades Educadoras redigida em 1990, em Barcelona postula que a cidade é educadora “quando reconhece, exerce e desenvolve, para além das suas funções tradicionais (económica, social, política e de prestação de serviços), uma função educadora, isto é, quando assume uma intencionalidade e responsabilidade, cujo objetivo é a formação, promoção e desenvolvimento de todos os seus habitantes, a começar pelas crianças e pelos jovens”. Nesta direção, Uberlândia viveu nos últimos anos uma verdadeira revolução, ainda que silenciosa, em todos os setores da cidade.

Em 2015, um estudo realizado pela União Brasileira de Divulgação (UBD), revelou que o município de Uberlândia tem a melhor educação municipal de Minas Gerais e está entre as 40 melhores de um universo de mais de 5,5 mil cidades de todo o país. O que se deve, especialmente, à construção do Plano Municipal de Educação e ao estabelecimento da Rede Pública Municipal pelo Direito de Ensina e de Aprender pela lei 11.444/2013: construção de escolas, consulta à comunidade para a escolha de gestores nas escolas, constituição dos Grêmios Estudantis Livres, valorização profissional, uniformes e material escolar de qualidade, humanização das relações, atenção às diferenças, respeito aos direitos humanos, preocupação com uma educação inclusiva promotora da cidadania e emancipação; democratização da aprendizagem e a qualidade da educação, gestão democrática; transparência e controle social na gestão financeira da educação.

No entanto, é óbvio que uma cidade educadora não se constrói apenas a partir da escola. A transformação social passa pela escola, mas não é exclusividade dela. Todas as experiências da existência podem ser educativas. A educação ocorre nos diversos espaços do escopo social e, outrossim, na esfera privada. A família é educadora, assim como a comunidade, o poder público, os movimentos sociais, as associações de classe, o trânsito, a legislação, a religião e, evidentemente, também a escola. Nas palavras de Paulo Freire (1996) “a escola sozinha não muda a sociedade. Mas a sociedade, não muda sem a escola”.

Compreendemos, pois, que

 [...] a escola não pode tudo, mas pode mais. Pode acolher as diferenças. É possível fazer uma pedagogia que não tenha medo da estranheza, do diferente, do outro. A aprendizagem é destoante e heterogênea. Aprendemos coisas diferentes daquelas que nos ensinam, em tempos distintos, mas a aprendizagem ocorre, sempre. Precisamos de uma pedagogia que seja uma nova forma de se relacionar com o conhecimento, com os alunos, com seus pais, com a comunidade, com os fracassos e com o fim deles (ABRAMOWICZ, 1997)

Daí a importância de nos somarmos todos em torno da continuidade da construção de uma cidade educadora, haja vista que, mais do que nunca nossa cidade dispõe de inúmeras possibilidades educativas que nos leva a conclusão de que a cidade educadora somos nós.