Quem educará os educadores?

postado em 1 de jul de 2016 06:39 por Andre Martins   [ 1 de jul de 2016 06:54 atualizado‎(s)‎ ]

por Mauro Sérgio Santos


 Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática” (FREIRE, Paulo. A educação na cidade, 1991)


“Quem educará os educadores? ” Essa questão colocada pelo filósofo Karl Marx (1818-1883) em uma de suas teses sobre Feuerbach. Por sua radicalidade e por tratar de um problema educacional de primeira ordem, a interpelação do pensador alemão é recorrentemente evocada.

A indagação de Marx, entre outros filósofos, chama a atenção para a importância da formação contínua dos profissionais da educação. A ideia de que o próprio educador precisa -- também ele -- ser continuamente educado traz consigo a visão de mundo de quem não se satisfaz com a cenário atual, a visão de quem acredita na possibilidade de mudança e de quem não mede esforços para promover uma educação voltada para a transformação social. E, neste aspecto, uma vez mais, Uberlândia faz justiça à sua vocação para a grandeza e o pioneirismo.

Em 1992, a Secretaria Municipal de Educação oficializara o Centro Municipal de Estudos e Projetos Educacionais Julieta Diniz, situado, hoje, no Bairro Brasil. Desde então, o Cemepe, como é conhecido, coloca Uberlândia entre os raríssimos municípios brasileiros que possuem uma autarquia precipuamente destinada à formação docente.

O Centro dedica-se à formação contínua, em serviço e em rede para e com os/as profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Ensino de Uberlândia, além do desenvolvimento de programas e projetos de estudos, pesquisa e intervenção pedagógica no cotidiano das unidades escolares, nos espaços das salas de aula e demais ambientes educativos. Em sua atual configuração, como um instrumento a serviço dos propósitos da construção de uma Cidade Educadora e por meio de suas atividades, ele visa incentivar a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber.

Nessa direção, entre 2013 e 2015, o centro propiciou e acolheu mais de 184 mil participações em atividades formativas. Seus profissionais realizaram quase 6 mil visitas às escolas e suas bibliotecas, 265 rodas de conversa, 383 mostras pedagógicas; além de colaborar significativamente no desenvolvimento de uma gestão informatizada dos dados educacionais, com a implantação do diário eletrônico on-line. Além disso, articuladas em rede, as próprias escolas, realizam atividades formativas com os profissionais da educação e toda a comunidade.

Posto isso, em consonância com a indagação de Marx postulada no início deste artigo, cabe retomar outra assertiva freireana: “ninguém educa ninguém. Ninguém se educa sozinho. Os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo” (FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido,1987). Pois, a educação ocorre em todas as instâncias e esferas da vida. Do nascimento à morte, essa aventura denominada existência humana se constitui em um ininterrupto processo educacional. As pessoas, a sociedade e as escolas, concomitante e dialeticamente, humanizam-se e educam-se.

Isolados, os indivíduos não modificam a sociedade, tampouco a educação; nem mesmo a escola. Mas, juntos, podemos lançar as pedras fundamentais de uma cidadania consciente, participativa e transformadora. A cidade educadora somos nós.